iel serafim
poemas como estrelas
DESFEITO EM 09.09.10
De que forma a soma feita,
imperfeita de nós mesmos,
encontrará a rima certa,
percorrerá caminhos direitos,
se ao redor o ar impuro
nos enche o peito e a vida cede?
E o que dirá o obsoleto,
aquele renegado por todos,
por nós mesmos,
a respeito das conquistas envesadas que tecemos
e das noites agitadas de sono que perdemos?
E o que dirá o preguiçoso,
objeto de escárnio e de desdém,
por todos, por mim mesmo,
sobre a solidão do milionário/visionário no meio da tarde de sábado
e de todos os segundos insóbrios em meio a multidão?
E o que direi eu, obsoleto e preguiçoso,
nada preguiçoso nem obsoleto,
nem um nem outro, nem talvez por meio,
inteiramente eu, sem nada feito?
O que direi eu e qual eu é esse que diz
Se não há nada a fazer e mesmo assim é feito
e se tudo que se faz é bem melhor desfeito?